Adaptação social em adultos e crianças com TDA/H

Diferentemente de outras áreas de funcionamento, a adaptação social de crianças e adultos portadores de TDA/H não é algo tão fácil de ser medido e por isso essa área tem sido menos freqüentemente objeto de investigação.

Mais da metade das crianças com TDA/H sofrem rejeição por parte de seus colegas. Observações realizadas em colônias de férias mostraram que, após 20 ou 30 minutos de interação, já se podiam constatar reações negativas por parte das outras crianças (deixar de brincar, evitar a presença) em relação àquelas com TDA/H.

Os diferentes tipos clínicos despertam diferentes reações, e disso resultam conseqüências diferentes. Crianças com Tipo Desatento tendem a ser mais passivas e retraídas, e aquelas do Tipo Combinado mostram mais freqüentemente comportamentos agressivos e inaptos. Na opinião dos professores as do Tipo Combinado sofrem mais prejuízo social.

Crianças com TDA/H não sofrem apenas de dificuldades de regulação da atenção, mas também de modulação das emoções. Costumam ter oscilações emocionais intensas, frente aos menores contratempos. Essa característica compromete seriamente a interação com o grupo.

Uma conseqüência da rejeição social na infância é o sentimento de isolamento na adolescência. Outras dificuldades podem seguir como o maior risco de comorbidades, abuso de drogas, comportamento delinqüente, e instabilidade nos empregos. Em resumo, quando comparadas com crianças portadoras de TDA/H que não sofreram rejeição, aquelas que foram rejeitadas carregam uma carga pesada, que as predispõe para outras dificuldades na adolescência e na vida adulta.

Estudos com adultos evidenciaram as principais fontes de insatisfação do cônjuge do portador de TDA/H: dificuldades na realização de tarefas (“não lembra o que lhe foi dito”), comunicação impulsiva (“diz coisas sem pensar”), desatenção com o outro (“desliga-se nas conversas”), e explosões emocionais (“tem dificuldade em lidar com a frustração”).

A rejeição pelos pares cria um viés negativo de reputação bem como padrões de comportamento e de expectativas sociais que podem persistir mesmo se um tratamento modificar o nível dos sintomas do TDA/H.

Se na infância, as crianças do Tipo Combinado sofrem maior índice de rejeição por seus pares, na juventude são os portadores do Tipo Desatento que apresentam um risco maior de rejeição pelo sexo oposto. Algumas vezes o adolescente hiperativo-impulsivo pode até mesmo parecer atraente aos olhos dos outros jovens, aparentando extroversão, um senso de rebeldia ou de humor.

(ADHD and Social Adaptation: From Childhood to Adulthood – Will H. Canu and Caryn L. Carlson – ADHD Report, April 2004 – vol.12, no 2)

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