Descobri que Tinha TDAH aos Oito Anos

Descobri que tinha TDAH aos oito anos. Como não ficava quieta de jeito nenhum, minha mãe me levou a uma psicóloga que diagnosticou o distúrbio. Desde bebê não ficava parada, me sujava toda antes de sair, não aceitava mamadeira e acabei emagrecendo.
Como meus pais se separaram, minha mãe achou que eu estava pirando. Com o diagnostico certo comecei o tratamento. Na época o distúrbio não era muito estudado e as escolas não estavam preparadas para receber criança. Por essa razão fui expulsa de quatro escolas. Até que minha terapeuta descobriu uma escola que lidava bem com crianças hiperativas.

Ainda hoje guardo lembranças maravilhosas desta escola. Lá eu podia fazer o que queria, não precisava seguir os horários, estudava na hora que queria, brincava, corria, gastava toda a energia infindável que tinha.

Mas como tudo que é bom, dura pouco tive que sair e enfrentar uma escola “normal”. Era uma tortura ter que ficar sentada assistindo as aulas, fazer dever de casa.

Nessa época estava ficando “mocinha”, mas minha cabeça não se adequava aos comportamentos do meu “gênero”, preferia brincar com os meninos a ficar sentada apenas conversando como as “mocinhas” fazem. Adorava brincar de luta ou jogar bola. Odiava batom e saias. Queria brincar e não crescer.

È claro que a sociedade não está preparada para meninas assim, e facilmente fui taxada de “sapatão” e olha que eu tinha 12 anos. Nessa época é claro que eu tinha meus “namorinhos”, mas, meu negócio era futebol Vivia com as pernas marcadas. Então minha mãe me proibiu de jogar bola ou andar com meninos.

Com essa idade descobri que se eu não lutasse, nunca conseguiria realizar meu sonho: ser advogada. Então comecei a levar o estudo a serio. Sofria muito para ficar quieta em sala, lutava para aprender conceitos básicos de matemática e confesso que ainda hoje não sei nada. Era boa em historia, geografia e literatura, adorava ler. Mas muitos professores diziam que eu não daria nada na vida. E diziam na minha cara!

Me achava um nada, todo ano a professora de matemática que compreendia meu problema me passava de ano, mesmo sem eu ter aprendido.

Quando chegou a época do vestibular, passei de “primeira”. Nunca vou me esquecer, tirei 8 pontos na prova de matemática que valia 10! Tinha conseguido!

Na faculdade os problemas se acentuaram, pois lá você tem que assistir aula porque precisa e não por ser obrigado. Nesse período conseguia ficar quieta na sala por 20 minutos, era o máximo e ainda sofria com isso. Falava a aula toda, deixava meu material cair, não ficava quieta na cadeira. Por fim sabendo que atrapalhava fui sentar no “fundão”. Todo final de semestre era um desespero, esquecia do dia das provas ou da entrega de trabalhos, não sabia a matéria que ia cair nas provas. Lia o material errado. Ao final o resultado não poderia ser outro: recuperação. Ao total dos dez períodos de faculdade tomei recuperação em 8. Reprovações foram 5. Como não poderia deixar de ser, meus professores achavam que eu era preguiçosa, indolente, ou seja, péssima aluna. Pois, além disso, tudo não tinha “freio na língua”. Nunca disse nada sobre o TDAH, não queria ser tratada diferente, eu queria ser normal.

Quando já não agüentava mais minha médica recomendou a Ritalina. Comecei a ficar sentada a aula toda, prestava mais atenção, deixei de esquecer das coisas. No ultimo período fiz 11 disciplinas para conseguir formar nos 5 anos normais da faculdade. Mais uma vez consegui. Me formei, sem louvor mas havia realizado meu sonho!

Pouco tempo depois ao fazer uma entrevista para o plano de saúde autorizar minha terapia, a psicóloga que me atendeu disse que era impossível eu ter conseguido. Impossível? Não, eu consegui!

Esta entrada foi publicada em Sem categoria. Adicione o link permanente aos seus favoritos.