O tratamento do TDA/H: um trabalho para uma equipe

O TDA/H é um distúrbio heterogêneo, que se manifesta em diversas áreas do funcionamento individual:
– no aprendizado
– no rendimento profissional
– na dinâmica intrapsíquica
– na saúde mental, em sentido estrito
– no relacionamento com os familiares
– no relacionamento social

Tão amplo é o leque de manifestações desse distúrbio que não é de estranhar que a abordagem ao mesmo no mais das vezes exige a participação simultânea de especialistas em diferentes áreas de atuação. Um exemplo: uma menina com 12 anos com quadro de acentuada dificuldade de concentração, associada a marcada dificuldade de leitura, e que conseqüentemente desenvolveu nítido quadro ansioso, com baixa auto-estima e medo de se expor em situações nas quais existe o risco de fracasso. Essa pequena paciente pode necessitar da ajuda de um médico com conhecimento e experiência no tratamento medicamentoso do transtorno, auxiliado por um especialista em transtorno de aprendizado (uma fonoaudióloga ou uma psicopedagoga), e também por uma psicóloga (que auxiliará na reconstrução da auto-imagem, e na aquisição de hábitos compensadores aos déficits primários do transtorno).

Fundamental para o bom resultado do tratamento é a noção de que o tratamento sempre é um trabalho de equipe, e que dessa equipe devem invariavelmente fazer parte a própria pessoa portadora do TDA/H e seus familiares. É com esse princípio em mente que devem atuar as pessoas envolvidas nessa empreitada, tarefa essa que pode ser para toda a vida.
Quando se trata de crianças e adolescentes, pode ser importante a convocação da escola (professores, orientadores) para fazer parte desse trabalho.
Em adultos, não menos importante é a inclusão de familiares, mas quando possível também de colegas e até chefes de trabalho.

O princípio realista que deve orientar a visão adequada da grande maioria dos casos de pessoas com TDA/H é o de um trabalho de grupo, duradouro, portanto muito mais para um desafio do que para uma desculpa.

Visões distorcidas sobre o tratamento do TDA/H podem assumir a forma de expectativas inadequadamente otimistas ou inadequadamente pessimistas. Olhares otimistas podem nos fazer pensar que basta uma pílula por pouco tempo para resolver todos os problemas, ou que nem é preciso nenhuma intervenção, pois o tempo se encarregará de fazer os ajustes necessários. Opiniões pessimistas são capazes de interromper vidas de satisfação e realização pessoal e profissional devido à resignação com metas inferiores às reais capacidades da pessoa.

É crucial descobrir em cada pessoa com TDA/H suas melhores potencialidades e ajudar essa pessoa a desenvolvê-las adequadamente. Dito de outra forma, em muitos momentos precisamos focalizar mais no que pode ir bem do que no que está indo mal.

Esta entrada foi publicada em Sem categoria. Adicione o link permanente aos seus favoritos.