Sempre fui uma criança que não parava quieta

Sempre fui uma criança que quando pequena não parava quieta, era bagunceira, desastrada, vivia tomando bronca e advertências na época da escola. Tendo os meus pais constantemente chamados para fazer visitas à escola. Tanto é que na primeira ida à escola tive a matricula relâmpago, somente um dia, pois minha mãe foi convidada a me retirar da escola, logo no primeiro dia.
Na minha época escolar, tinha o comportamento de falar e brincar muito durante as aulas. Tanto é que fui reprovada algumas vezes e demorei mais tempo para terminar os meus estudos. Claro que não era somente o comportamento inadequado, mas, sim, dispersão, falta de atenção e também desinteresse em algumas matérias. Adorava esportes, principalmente o futebol, que eu perdia até a hora para voltar para a sala e a professora ia me buscar na quadra esportiva.

Somente alguns professores tinham muita atenção comigo e me incentivavam a estudar e a modificar o meu comportamento. Não tinha o menor interesse em realizar atividade de trabalhos em grupos. Sempre agia no individualismo e do meu jeito.

A minha “ficha” caiu quando a diretora da escola onde estudava, ameaçou de me expulsar devido às constantes visitas à diretoria. Os meus pais imploravam que não queriam mais fazer visitas semanais à escola. Daí então eu “cresci”, tomei vergonha na cara e parei com as situações que causava.
Melhorei as minhas notas, terminei o meu curso e ainda fiz curso de artes marciais. Só parei devido a uma grave lesão ortopédica. E que me ajudou a ter mais calma, ter mais noção de responsabilidade e mais tranqüilidade, pois, diminuiu a minha ansiedade, impulsividade, energia e também a questão de sociabilidade que era essencial para poder participar das aulas…

Não sei esperar a minha vez, para falar, para filas. Falo quando não devo, interrompo as pessoas, respondo antes que perguntem por inteiro. Faço várias coisas ao mesmo tempo, posso falar ao telefone, assim como posso ver televisão, ouvir música e mexer no computador. Quando tenho um monte de coisas para fazer, faço e às vezes, deixo por fazer. O curioso que sempre me machuquei, porque simplesmente, achava que tinha que fazer e não se preocupava com o perigo que possivelmente corria e achava ainda graça. Depois que cresci, vi a realidade, até então não sabia, que tinha algum transtorno, porque sempre me disseram que eu era o terror quando criança. Também não tive o interesse em procurar saber, depois, que me interessei sobre o assunto é que procurei querer entender a situação.

Tenho extrema facilidade com a informática e trabalhos feitos no computador e jogos eletrônicos, artes (desenho), carteado e tenho extrema dificuldade com números, compromissos, pintura, escrita, nomes e horários. Nas provas tirava nota baixa, por desatenção, já que tinha entendido a matéria, prestado atenção na explicação do professor.

Quando criança não tinha facilidade com números, demorei a aprender a ver as horas no relógio de ponteiros, e colocar a tabuada na minha cabeça. Foi com muita paciência que minha avó, semi-analfabeta ensinou-me a ver as horas e mudar os números nos cubos que eram do calendário…

Já meu pai e meu irmão têm uma facilidade numérica surpreendente. Mas, têm dificuldade na leitura e na escrita assim como um dos meus irmãos. O estranho é que sempre tivemos o hábito de leitura em casa, pois a minha mãe sempre estimulou a fazermos isso e depois, de muito tempo uma amiga da minha mãe que é pedagoga, e que já tinha notado as minhas dificuldades na leitura, na escrita e nos números, foi me ajudando, me estimulando a ler e a escrever melhor. Inclusive a minha mãe foi orientada a ouvir a minha leitura e diante disso, é que melhorou muito a minha forma de escrever. Só acho que ainda existe a dificuldade com os números, pois, todos os cálculos que faço, é preciso ainda a ajuda dos dedos ou da calculadora. Possivelmente além do TDAH eu tenha um Transtorno do Aprendizado.

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