TDA/H em mulheres – uma questão de gênero

(este artigo é de autoria da Dra Katia Beatriz Corrêa e Silva)

TDAH em MULHERES – Uma questão de Gênero

A questão do TDAH nas mulheres tem estreita relação com a evolução do conceito do transtorno que, através das pesquisas, foi sendo reconhecido como uma síndrome orgânica com expressão comportamental e de início supostamente restrita à infância. Pesquisas posteriores começaram a comprovar sua ocorrência na adolescência e na idade adulta, demonstrando seu caráter genético e crônico.

As pesquisas iniciais feitas em meninos, em idade escolar, que eram levados à avaliação pelas características de agitação e impulsividade, fizeram crer que era um transtorno da infância, predominante em meninos. Por muito tempo se aceitou a prevalência de aproximadamente quatro meninos para uma menina.

Pesquisas posteriores mostraram a relevância da desatenção e a incidência em meninas e adultos. O tipo Predominantemente Desatento passou a ser identificado e consequentemente mais diagnosticado.

Observou-se maior incidência do tipo Predominantemente Desatento no sexo feminino. Mas as meninas e mulheres que apresentavam sintomas de Hiperatividade e Impulsividade mais marcantes os expressavam de forma diferente dos meninos. São freqüentemente menos rebeldes, menos opositivas, e a Hiperatividade se expressa mais através da fala do que da ação. As comorbidades com Transtornos de Ansiedade e Depressão são mais freqüentes, levando a instabilidade emocional, com freqüentes mudanças de humor.

Influências Hormonais – suas flutuações

O papel do Estrogênio

O papel dos hormônios nos diversos aspectos psíquicos vem sendo cada vez mais estudado e sua influência tem sido mais reconhecida. Entretanto, com freqüência, a flutuação hormonal e a influência do estrogênio no cérebro não tem sido nem considerada nem tratada.

Conexão Estrogênica

Estudos recentes mostram a influência do estrogênio no funcionamento cerebral e suas conseqüências funcionais.

Através de ações em alguns pontos do cérebro, como o aumento da concentração de alguns neurotransmissores na sinapse (como a serotonina, dopamina e norepinefrina), o aumento significativo de receptores dopaminérgicos (D2) no Striatum, e a regulação dos neurônios dopaminérgicos nos gânglios da base podemos perceber como a oscilação dos níveis de estrogênio podem influenciar a sintomatologia do TDAH nas mulheres.

Algumas pesquisas sugerem que o estrogênio pode potencializar a resposta aos estimulantes nas mulheres, mas esse efeito não aparece quando em presença de progesterona ou em níveis baixos de estrogênio.

Com o estrogênio promovendo o aumento de liberação de neurotransmissores na sinapse, pode se esperar melhora no funcionamento das mulheres durante fases com altos níveis de estrogênio como a gravidez.

Consequentemente nas fases de baixos níveis de estrogênio pode haver uma disfunção cerebral (na pré-menopausa e na menopausa).

O Hormônio Tireoidiano também tem papel relevante, já que é importante na ativação das funções da atenção no córtex frontal. Muitas vezes a hipofunção é sub-clínica, daí a importância da avaliação das funções tireoidianas principalmente quando da resposta insuficiente em casos de comorbidade com transtornos depressivos e de ansiedade.

A Influência das Expectativas Sócio – Culturais

As meninas e mulheres com TDAH precisam lidar não só com a sintomatologia do transtorno em si, mas também com as diferenças de gênero nas expectativas sócio-culturais que a sociedade lhes impõe. Essas diferenças de gênero são tanto biológicas e neurológicas como culturais. Na idade adulta os problemas estão principalmente nas Disfunções Executivas, que afetam tanto homens quanto mulheres. Entretanto essas dificuldades podem se expressar de forma bem diferente nas mulheres.

As expectativas para as mulheres na nossa cultura recaem de forma especial justamente nas funções que estão prejudicadas pelo TDAH, sendo causa de frustração. A tentativa de alcançar o ideal social pode não ser bem sucedida.

Condições Coexistentes em Mulheres com TDAH

Além das comorbidades, algumas condições também podem se desenvolver posteriormente como conseqüência do TDAH não tratado. E como a maioria dos psiquiatras raramente reconhece o TDAH no adulto, é freqüente que as mulheres recebam o diagnóstico secundário.

Depressão e Ansiedade

Transtorno de Humor Bipolar

Fibromialgia e Síndrome da Fadiga Crônica

Transtorno do uso de substâncias

Desordens Alimentares, etc.

Não se pode deixar de mencionar que outros autores entretanto, vêem com cautela a existência ou não de diferenças na manifestação de sintomas quanto ao gênero e outros são radicais em negá-las.

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